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UFMG – Acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência visual na UFMG: produção de materiais adaptados pelo Núcleo de Acessibilidade e Inclusão

24 Mai 2022

O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), em parceria com as bibliotecas do sistema UFMG, adapta a bibliografia básica dos cursos para as pessoas com deficiência visual. Os textos são preparados para a leitura por softwares leitores de tela e as imagens são audiodescritas. Em 2021 o NAI adaptou para PDF acessível, braille e áudio MP3 um total de 28.662 páginas de livros, capítulos de livros e artigos, sendo que 80% deles continham imagens que também foram audiodescritas.

INTRODUÇÃO

O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) foi criado em 2015 e é fruto de várias iniciativas presentes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde a década de 1990. Tem como principal missão a promoção da acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência da comunidade universitária. As ações desenvolvidas pelo NAI estão relacionadas às diferentes dimensões de acessibilidade: atitudinal, metodológica, instrumental, pedagógica, das comunicações e da informação, arquitetônica e dos transportes. Este trabalho apresenta a atividade de produção de materiais adaptados em diferentes formatos, voltada para a acessibilidade e inclusão de alunos e servidores com deficiência visual – cego ou com baixa visão, na UFMG. Para este público a leitura de textos impressos em papel pode ser muito difícil ou mesmo inviável, conforme o grau de perda visual. A adaptação destes textos por meio de ampliação, impressão em braille (impresso) e alto relevo ou conversão em áudio, para ser lido por softwares leitores de tela (digital acessível) é essencial para garantir o acesso à bibliografia dos cursos de graduação e pós-graduação da UFMG. Portanto, a adaptação de materiais didáticos é fundamental para a permanência do estudante com deficiência visual na universidade. A adaptação de materiais acadêmicos teve início, na UFMG, com o trabalho do Centro de Apoio ao Deficiente Visual (CADV), vinculado à Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), possibilitando o acesso dos alunos com deficiência visual à bibliografia dos cursos de graduação. Naquela época, os textos eram lidos por bolsistas (estudantes contratados) e gravados em áudio. Posteriormente, os textos passaram a ser preparados para a leitura por programas que convertem em áudio os caracteres escritos da tela e narram o texto para o usuário por meio de voz sintetizada. Mais recentemente, o NAI passou a fazer também a audiodescrição das imagens presentes nos textos da bibliografia dos cursos.

DESENVOLVIMENTO

Desde o ano de 2020, a adaptação de materiais tem sido realizada pelo NAI em parceria com as 21 bibliotecas do sistema UFMG. O NAI doou scanners para que as bibliotecas pudessem digitalizar o material antes de ser enviado ao Núcleo para adaptação. Após o processo de adaptação, o material retorna para a biblioteca, que o disponibiliza para o aluno e também o insere no acervo adaptado, para que possa ser consultado por qualquer outra pessoa com deficiência visual, inclusive via Rede Pergamum, em consulta pela comunidade interna e externa à UFMG. Este processo teve início em 2020 e ainda encontra-se em andamento. Com o avanço das tecnologias digitais, a maioria dos textos passaram a ser adaptados para a leitura por meio de softwares. Nesse processo, a adaptação do material é feita digitalizando os conteúdos impressos e convertendo a imagem escaneada em formato passível de ser reconhecido por leitores de tela. Porém, as fotografias, desenhos, charges, tabelas, etc., presentes nos materiais, não são lidos por estes programas, o que representa um limite à acessibilidade para o estudante cego ou com baixa visão. Assim, essas imagens visuais que acompanham o conteúdo textual são audiodescritas pela Equipe do NAI. O passo a passo da adaptação de materiais e da audiodescrição pode ser acessado nos links a seguir: https://www.ufmg.br/nai/pop-producao-de-material/ e https://www.ufmg.br/nai/tutorial-de-audiodescricao/ . A complexidade deste trabalho configura-se como um grande desafio diário para o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, em razão da própria natureza da atividade e do pequeno número de servidores envolvidos na mesma: 3 servidores. Este desafio tem sido solucionado por meio de um grande investimento em capacitação de todos os 25 bolsistas que desenvolvem atividades com os alunos com deficiência que ingressam na UFMG, a cada semestre, por meio da reserva de vagas. Cada bolsista desenvolve suas atividades em 16 horas semanais de atividades no NAI, das quais 6 horas são dedicadas exclusivamente à adaptação de materiais para atender aos alunos com deficiência visual que aderem aos serviços do NAI. O desafio também se coloca em razão da alta rotatividade dos bolsistas, pois na medida em que avançam em seu percurso acadêmico conseguem vagas em campos de estágio que garantem melhor remuneração ou atividade na sua área de formação. Desta forma, a cada semestre, novos bolsistas são capacitados com base no POP para adaptação de materiais e no POP para audiodescrição de imagens. Do início de 2020 até o mês de setembro de 2021 56 bolsistas foram treinados para as atividades de produção de material e audiodescrição. A audiodescrição explica as imagens por meio de palavras, permitindo que a pessoa com deficiência visual possa acessá-las a partir da linguagem verbal. Ela amplia a acessibilidade pedagógica, instrumental e de comunicação e informação. Na elaboração da audiodescrição, deve-se identificar o tipo de imagem, indicando se é uma fotografia, charge, gráfico, etc. É necessário ainda, ressaltar informações relevantes, descrever os aspectos da imagem em seu sentido lógico, as cores e a posição dos objetos apresentados. Deve-se evitar qualquer tipo de interpretação, para que a pessoa com deficiência visual possa tirar suas próprias conclusões sobre a imagem. O principal desafio no uso da audiodescrição no ensino superior é a diversidade das áreas de conhecimento envolvidas, o que a torna muito complexa. Para isso, participam da realização desta atividade bolsistas de graduação de cursos das mais variadas áreas do conhecimento e revisores braille, profissionais com conhecimento e experiência em adaptação de materiais e audiodescrição.

CONCLUSÃO

Dos 144 alunos com deficiência visual cadastrados, 92 são acompanhados pelo NAI. Destes, 34 demandaram adaptação de materiais acadêmicos durante a pandemia, sendo 01 aluno do Ensino de Jovens e Adultos (EJA); 26 da graduação (Administração; Antropologia; Artes Visuais; Biblioteconomia; Ciências do Estado; Direito; Engenharia de Controle da Automação; Filosofia; Física; História; Jornalismo; Letras; Medicina; Museologia, Música; Nutrição; Pedagogia; Psicologia e 7 de mestrado/doutorado (Música, Psicologia, Pedagogia, Ciência Política e Neurociências). De janeiro de 2020 até setembro de 2021 o NAI adaptou para PDF acessível, braille e áudio MP3 um total de 28.662 páginas de diferentes tipos de materiais didáticos, como por exemplo, livros, capítulos de livros e artigos, sendo que 80% deles continham imagens, que foram audiodescritas. OBS: esta proposta foi elaborada em conjunto com os servidores: Abel P. Nascimento Jr, Cármen R. Maia, Priscila A. Vasconcelos e Vera L. M. Nunes.

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